quinta-feira, 28 de junho de 2007

Tô pensando....

Achei isso na net e estou pensando numa piadinha... Dei umas grifadas no que achei interessante e depois eu escreve um comentário bem ácido sobre o assunto.


Reinevaldo Silva, o ex-Rey Zulu, conta como passou de pioneiro da axé music a missionário evangélico
Ele costumava iniciar seus shows com o refrão de um sucesso particular: "Olhei pro céu/ uma estrela brilhou/ Salvador diz menina/ Rey Zulu já chegou". Mais de dez anos depois de ser um dos principais expoentes da então emergente axé music, ele faz sua saudação em outro ritmo: "Shalom Adonai (a paz do Senhor), minha Bahia". Protagonista de uma conversão de religião e costumes, Reinevaldo Silva, o ex-cantor Rey Zulu, passou do jugo do candomblé e das baterias dos blocos afros para a inspiração de "uma doutrina pentecostal renovada", onde apenas a música gospel é permitida.

Ao contrário daquela famosa propaganda de tônico capilar, a voz dele não continua a mesma, nem mesmo os cabelos. Hoje, Reinevaldo fala mais pausadamente e também renegou a cabeleira vasta, que marcou época. O visual dos novos tempos é uma coisa mais gerente de banco, com calça de linho e camisa social, cabelos rentes à cabeça, que mostra dois avanços de calvície na testa de 39 anos. Com pouco mais de 1,65m de altura, ele é o Reizinho de Jesus, ou missionário Reinevaldo, uma metamorfose impensável para quem já foi responsável por criar e cantar versos como "Iêêê sakalavas oná eh,/ iááá sakalavas oná ah".

Na aurora do samba-reggae que desencadearia um novo jeito de fazer música na Bahia, Rey Zulu era uma espécie de guru intelectual de grupos como Refexus, Olodum e a posterior formação Gente Brasileira. Suas composições mais famosas fazem parte da memória afetiva de qualquer um que brincou os carnavais no final dos anos 80 e início dos anos 90. Na toada da nostalgia, ele fez Meu bem quero te amar, para o Chiclete com Banana ("Eu sou camaleão, sou seu amor/ Vem me dar um beijo"), Libertem Mandela ("De geração em geração/ que é discriminado o negão/ e hoje somos cultura/ nosso grito de força é a nossa união"), ajudou a soprar a carreira de Daniela Mercury com Batuque ("Tá no batuque que balança, nêgo/ Ah, ah, pode me telefonar") e deu a chance para Margareth Menezes soltar o vozeirão com Uma história de Ifá, que ficou mais conhecida como Elejigbô ("Cidade reluzente, Elejigbô/ Cidade florescente, Ejigbô"). Recentemente, a dançarina e dublê de cantora Carla Perez regravou a música que poderia ser o melô do teste de DNA, Pai é pai, Mãe é mãe.

Heresias do passado

Por suas contas, foram mais de 100 sucessos desse tipo, escritos individualmente ou em parceria e que Reinevaldo de hoje não se sente à vontade sequer para cantarolar um trechinho ou outro. "São letras que falam em rituais voltados para seitas, trazendo idolatrias e envolvimento com candomblé e umbanda, o que para Deus é pecado", renega o artista, como se falasse de heresias sonoras do passado. "Na época, era preciso até fazer pacto com essas entidades para garantir o sucesso", garante.

Como compositor, conquistava os festivais de música dos blocos afros e também prêmios nacionais como o Sharp e o Troféu Caymmi. Como cantor, conheceu o estrelato, a maratona de shows, o assédio e a solidão da fama. "O sucesso na vida de um artista é muito efêmero e traz vaidade, espírito de soberba e muita altivez", condena. "Profissionalmente, não sinto saudades porque tinha um vazio em minha vida que só foi preenchido por Jesus", agradece ele, que geralmente é chamado de ex-Rey Zulu.

Fazendo a diferenciação entre a "música secular" e a música gospel, Reinevaldo considera que naquela "o homem traz a glória para si" enquanto nesta "ele eleva a glória para o Senhor". Na nova fase, o compositor cria canções como Eu profetizo e já prepara o lançamento de um CD religioso, com participação da esposa, a musicista Patrícia Silva, uma ex-futura-freira. Casado há quase cinco anos, ele diz ter encontrado a mulher quando ela se preparava para seguir a vocação em um convento católico. "Deus me deu uma revelação, através de um profeta, de que eu iria encontrar uma mulher maravilhosa. Eu era gerente da rádio Gospel e no dia seguinte, ela apareceu lá. Eu mentalizei: Deus, se for isso que preparou para mim, que movam-se as situações", revela. Patrícia está grávida de três meses, o que Reizinho de Jesus considera mais uma bênção em sua vida.

Tábua da salvação

O encontro dele com a religião é mais uma história de situação-limite, em que o místico se revela como tábua de salvação. Usando o adágio popular de que o que não vem por amor, vem pela dor, Reinevaldo recorda o que chama de fundo do poço, na passagem de 1999 e 2000. Depois de contrair tuberculose duas vezes, ele diz que se entregou completamente a uma depressão por causa do fim de um relacionamento amoroso. "Estava prestes a cometer um homicídio e um suicídio", dramatiza, falando de sua decepção com a namorada, em um amor que ele mesmo classifica como masoquista.

Foi o locutor de rádio Walter Júnior que começou a falar de Jesus e o convidou para a igreja evangélica no bairro de São Rafael. Atualmente, ele é missionário (um tipo de pregador itinerante) do Ministério Internacional Fé Viva, uma entidade que diz estar há um ano e meio no Brasil, fundada há mais de 20 anos nos Estados Unidos. No meio evangélico, Reinevaldo não abandonou as raízes musicais e se tornou produtor cultural. Um dos eventos sob sua responsabilidade é o Clama Bahia, programado para o próximo dia 26, com expectativa dos organizadores de reunir 20 mil pessoas para uma maratona de shows em louvor.

"Vai ser o maior evento gospel da Bahia em 2006", promete o ex-Rey Zulu, que contratou o grupo fluminense Toque no Altar ("uma espécie de versão religiosa da banda Calypso, com mais de três milhões de CDs vendidos"), a cantora Aline Barros ("que é ícone do segmento, um fenômeno como Ivete Sangalo") e os baianos pastor Fernando (filho de Firmino de Itapuã) e Tambores Ungidos de Deus ("que é como se fosse o Olodum").

Reinevaldo costuma ter a companhia do "agente publicitário" Alan Campos, uma espécie de porta-voz nessa nova empreitada. "A aceitação de nossos projetos é muito boa, porque os evangélicos sempre passam muita confiabilidade. Embora tenha muito picareta que diz que é evangélico só para dar golpe por aí", admite Campos. Para o artista, seguir a carreira musical na igreja é uma opção até mais rentável. "A pirataria no mundo gospel não chega a 5%, por isso dá para ganhar alguma coisa com direitos autorais", contabiliza.

Há três meses, Reinevaldo também estreou como apresentador de televisão no programa Jesus Salvador, exibido às segundas-feiras, das 5h30 às 6h, na TV Aratu. Para explicar o conteúdo feito com adorações, músicas, louvores e as leituras bíblicas, é melhor ele mesmo dizer: "É um programa evangelístico, de inspiração própria e interdenominacional".

Quando resolveu mudar de vida, Reinevaldo enfrentou a desconfiança dos parentes, recebeu a condenação de todos os oito irmãos. "Diziam que eu estava louco, que tinha sofrido uma lavagem cerebral. Mas não me importei, porque eu também não entendia o sobrenatural de Deus e falava a mesma coisa quando não tinha aceitado Jesus". Hoje, o ex-Rey Zulu considera heréticas as músicas que fez e foram sucesso no passado, participa de ministérios na área da família com a mulher, acha que o Armagedon está próximo e poucos irão se salvar e saúda aos outros com um "que Deus te abençoe". Ou, como ele mesmo costuma dizer: "Shalom, minha Bahia".

1 Comentários:

Às 5 de junho de 2023 às 17:33 , Anonymous Anônimo disse...

Só queria saber se Reinevaldo recebe pelos direitos autorais que outros artistas cantam ou gravam suas composições.

 

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